Ana Carolina

Ana Carolina
11 meses

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Quantas vidas vou viver?

A proximidade do meu aniversário de 60 anos (!!) fez com que eu começasse a pensar nas vidas que já vivi e nas que, esperançosamente, viverei.

Gosto de contar histórias, e de vez em quando me apercebo contando alguma das muitas histórias que vivi. Sempre me maravilho com a variedade e quantidade de vidas que tive oportunidade de experimentar. Hoje, vindo para o trabalho, considerei escrever, tanto pelo prazer de recordar, quanto para exteriorizar acontecimentos, sentimentos, pensamentos ...

Entre as recordações da infância, que vêm como flashes, alguns com movimento, está a casa da minha avó Jovina, no bairro do São Francisco, em Catanduva. Ela e meu avô, Joaquim, ainda na casa onde minha mãe morou quando conheceu e se casou com o papai. Era uma casa simples, mas na minha memória ela tem cheiro de comida muito gostosa, de fogão à lenha.. sopa de grão-de-bico gordurosa de frango, saborosa como nunca mais provei. Ao lado da casa, uma parreira de uva verde, que lembro direitinho de colher no pé .. hummm.. Era lá que passávamos os natais, páscoa, as festas. Lembro também que as mulheres adultas (vovó, mamãe e tia Cidinha) cozinhavam e eu e minha irmã ficávamos com a louça (aiaiai).

Meu avô disse uma vez que a esposa era muito brava. Mas ela trazia mágoas e muitas histórias tristes na sua mala, que abria de vez em quando, em especial quando ia, geralmente ao por-do-sol, para o quintal, sozinha.

O marido dela não era meu avô de sangue, mas foi o único avô materno que conheci até os 14 anos, e claro, mesmo depois, o carinho persistiu. Era o meu avô Joaquim: ranzinza, mas que nunca vi levantar a voz. Declaradamente adorava minha avó. Ela, uma vez me disse que o primeiro casamento é por amor, o segundo por conveniência. Ele era seu segundo.. então, tenho muita ternura por meu avô, mas temo que provavelmente ele não tenha tido seu amor e devoção correspondidos na mesma medida. Ele era português, tinha vindo adulto para o Brasil (éramos sua única família), trabalhou na estrada de ferro. Era tão trabalhador e levava tão a sério seu compromisso que nunca faltou.. e um dia, ao chegar ao trabalho, foi mandado de volta, porque tinha chegado o tempo de aposentar com meses de antecedência.

A casa da minha avó era um primor de limpeza e brilho. Sem empregada (ela não aceitava), os dois se ocupavam da limpeza, da cozinha, das compras, sempre juntos. Tenho lembrança de sair da casa da minha avó com minha irmãzinha, indo para nossa casa, e falamos mal dela (era brava com a gente.. rs).. e uma vizinha ouviu e foi contar. Que vizinha enxerida!!!! rs
Sei que minha mãe deu "a" bronca na gente e aprendi uma lição. Se formos falar mal de alguém, devemos nos certificar de que ninguém esteja ouvindo!!!

Se eu tivesse que escolher uma palavra para definir a vida da minha avó, seria "trágica".

Ela era a filha mais velha de um fazendeiro e era companheira do pai. Iam pescar juntos. Ele era um caboclo casado com uma portuguesa de olhos azuis, com quem teve vários filhos. Minha avó, entretanto, era bem morena, uma baiana pura.
(foto da vovó)

Quando a mãe de minha avó morreu, deixou minha avó adolescente e vários irmãos e irmãs mais novos. Nessa época eles moravam em Ibirá, Estado de São Paulo, e o meu bisavô voltou para a Bahia para buscar a nova esposa,que era da idade da filha mais velha, minha avó. Ela se apaixonou por um empregado da fazenda, o Manoel (Manezinho). O pouco que sei sobre ele inclui a profissão, barbeiro, e o gênio forte. Se algum desafeto entrasse na barbearia, ele saía pela porta dos fundos e não atendia.

Os dois ficaram juntos o suficiente para terem quatro filhos. O quinto seria minha mãe. Minha avó estava grávida da minha mãe quando brigou com o marido e foi para a cidade procurar emprego. Esse é um fato. O que causou isso não sei. O boato é que uma irmã disse para o Manezinho que minha avó não iria voltar. Então, ele sumiu com os quatro filhos, sem saber que deixava uma filha por nascer. Quando minha avó voltou (a cabeça esfriou), não encontrou mais ninguém. Perdeu o marido e os quatro filhos. Voltou para a cidade, Catanduva, grávida e sozinha. Não sei como ela fez para aguentar a barra de ter e criar uma filha sozinha. Sei que trabalhou no Hospital Padre Albino e em casas de família como cozinheira. E foi no trabalho, numa casa dessas, a menininha que era minha mãe viu um piano. E decidiu que um dia teria um piano e tocaria nele. Esse sonho ela realizou. Teve um piano e chegou a começar a aprender a tocar piano e violão.

A menininha que nasceu sem o pai, em 1935, sofreu preconceito e esse foi um dos traumas que fizeram com que transformasse na mulher que tive o privilégio de conhecer, admirar, temer, e nunca compreender totalmente. Um dia uma professora pediu que ela escrevesse em um trabalho o nome da mãe e o do pai. Ao responder que não tinha pai, recebeu uma resposta irada, que ela guardou consigo para sempre. E o trauma foi passado para os filhos, na forma de orgulho ao ver na certidão de meu casamento os nomes dos meus pais (eu tinha os dois!!!!).  Se a  palavra para a vida da minha avó é "trágica", a da minha mãe poderia ser "traumas". Ela juntou durante a vida muitos traumas e quando falava sobre eles era como se estivessem todos presentes, apontando o dedo para ela e sua infelicidade. Uma atitude recorrente dela era ficar trancada em seu quarto, enquanto outra era de acordar gritando com pesadelos. Uma vida definida pelos traumas sofridos.

Vidas na infância

Não tenho muitas memórias da infância. Sei que minha mãe saiu de casa, quando eu tinha 4/5 anos. Ficamos eu e minha irmã que era um bebê, no máximo 2 anos. Há mais de 50 anos foi notícia. Meus pais frequentavam uma igreja evangélica e era uma comunidade pequena, restrita, que não teve escrúpulos em condenar minha mãe e colocar nela um carimbo de "sabe o que ela fez?", enquanto meu pai era "como esse coitado aguenta?".  Ela ficou poucos meses fora e voltou para a casa da minha avó. Uma das imagens, talvez a mais antiga que tenho, é de estarmos em um ônibus, voltando da casa da minha avó, onde sei que tínhamos ido ver minha mãe. A foto da memória é a do ônibus, sei o lugar, perto da rua 7 de setembro. Minha mãe pediu para voltar: não conseguiu suportar a saudade das filhas. Dessa época tenho uma imagem de meu pai em cima de minha mãe, os dois brigando. Ela no chão. É um flash. Morávamos nos fundos da relojoaria onde meu pai consertava e vendia relógios. Lembro também de minha tia Cidinha estar na casa conosco e ela e minha mãe irem para o portão da casa, e eu queria saber o que tinha de importante na rua, ao que responderam que iam ver "o movimento". Na minha imagem de criança, fiquei curiosa e com perspectiva de saber o que era o movimento!!! 

Nessa casa moramos até eu completar 6 anos. E aí começou a minha vida na escola.




















 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Viagem à Europa - família Arado

Querida família,
Encontrei o blog que tinha feito em 2008, destinado à nossa viagem à Europa. Nossa!! Foi muito legal ver os sonhos e planos colocados ali e (graças a Deus!) a comparação com a realidade mostrou que dessa vez foi muito melhor a realidade do que o maior sonho anterior. Obrigada a todos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Foi maravilhoso!

Como falamos

Tenho opinião de que cada pessoa é um universo e que cada palavra, ato, é a representação de tudo por que aquele ser humano viveu. Sendo assim, temos nossa linguagem peculiar. Claro que somos parecidos quando próximos em tempo, espaço.. mas ainda assim, temos aquela "uniquez".

Essa introdução se deve ao que vou contar agora. Outro dia me deparei com uma situação com uma pessoa com quem convivo (não família), ao eu assumir que só estava dizendo aquilo porque "as uvas estavam verdes". Na hora tive a ideia de perguntar se isso tinha sentido para ela e, para minha surpresa, não tinha para ninguém presente na hora (algumas pessoas). Não me lembrei direitinho da fábula para contar, mas contei ao meu modo, já que foi parte de minha infância "devorar" fábulas e outras histórias infantis que continham lições preciosas e vocabulário rico.

Resolvi, assim, postar aqui, uma das versões que encontrei na internet, sobre a raposa e as uvas.


´"A Raposa e as Uvas é uma fábula atribuída a Esopo e que foi reescrita por Jean de La Fontaine.
Com pequenas variações, é basicamente a história de uma raposa que tenta, sem sucesso, comer um cacho de convidativas uvas penduradas em uma vinha alta. Não conseguindo, afasta-se, dizendo que as uvas estariam verdes. Muitas vezes por comodismo e por não querer obter, criando desculpas e justificativas enfadonhas. A moral afirmada no final da fábula é algo como:
É fácil desprezar aquilo que não se pode obter
Na Língua inglesa, a expressão "azedar uvas" - derivada dessa fábula - refere-se à negação de um desejo por algo que não se adquire facilmente ou à pessoa que detém essa recusa. Expressões similiares existem em outros idiomas, como na expressão persa: "O gato que não pode alcançar a carne diz 'isso fede'!" A expressão também está presente nos países escandinavos, onde o termo 'azedar uvas' foi substituído por 'azedar sorvas' pelo fato de as uvas não serem comuns em latitudes setentrionais. Na psicologia, este comportamento é conhecido como racionalização (embora seja mais conhecido como redução da Dissonância cognitiva).

No discurso coloquial, a expressão do idioma é aplicada a alguém que perde e não consegue fazê-lo graciosamente. Estritamente falando, deve ser aplicado a alguém que, após a perda, nega a intenção de ganhar por completo. A expressão "Ah, mas são verdes" é utilizada em Portugal quando isto acontece. O provérbio português "quem desdenha quer comprar" é comummente associado a esta fábula.

A fábula

Uma raposa que vinha pela estrada encontrou uma parreira com uvas madurinhas. Passou horas pulando tentando pegá-las, mas sem sucesso algum... Saiu murmurando, dizendo que não as queria mesmo, porque estavam verdes. Quando já estava indo, um pouco mais à frente, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão... voltou correndo pensando ser as uvas, mas quando chegou lá, para sua decepção, era apenas uma folha que havia caído da parreira. A raposa decepcionada virou as costas e foi-se embora de novo como um ar importante.

Moral

Aqueles que são incapazes de atingir uma meta tendem a depreciá-la, para diminuir o peso de seu insucesso.
É fácil desprezar aquilo que não se pode alcançar."

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fevereiro de 2010

Quanto tempo sem postar aqui!!

O ano de 2009 foi um ano com um acontecimento importante na minha vida: minha garotinha se casou.
Foram pelo menos seis meses de muita atenção a detalhes, e de trabalho.
Enfim, deu tudo certo. Foi o sonho dela que se realizou, do jeito que ela pediu. Claro, algumas coisas não saíram exatamente perfeitas, porém, sinceramente, não me lembro mais disso. O que ficou foi uma sensação de bem-estar, de "graças a Deus" tudo acabou bem.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Férias 2010

Esta semana voltei ao trabalho, depois de 15 dias de férias .. foram 18 por causa do carnaval. Uma semana em Maceió. Hotel maravilhoso, companhia a melhor do mundo (minha filha, minha melhor amiga), praia e sol. Tá certo que na hora de voltar eu queria ficar mais um pouco, mas ficar em casa sem ir pro trabalho foi um "saco".
Descobri que adoro ir ao trabalho, e gosto da sensação de ficar em casa, mesmo sozinha, como estou ultimamente, mas apenas depois de ir ao trabalho.
Vamos ver se continuo sem reclamar depois de alguns meses.. rs

Marina Silva

Sinceramente, não sei o que a Marina Silva, uma mulher admirável, foi fazer no partido Verde. Nada contra o partido em si. O problema para ela é que ela não agiu com a razão. Os políticos que compôem o partido para o qual ela se filiou não são bem-vistos pela população. Mas não é sobre isso que quero falar hoje.
Recebi um texto pela internet, supostamente escrito por ela. Extremamente bem escrito, acredito que seja verdade. Vou postar abaixo:


EM "A REPÚBLICA", Platão conta o mito do camponês Giges que, certo dia, pastoreando suas ovelhas, encontra uma cratera aberta por violenta tempestade. Lá, ele descobre o cadáver de um homem, com um anel no dedo.
Pega o anel e o coloca no próprio dedo. E, para sua surpresa, percebe que a joia lhe dá a faculdade de se tornar invisível.
Com esse poder, Giges passa a cometer uma série de delitos: seduz a rainha, mata o soberano, usurpa o poder. O mito desvenda, assim, a propensão humana a praticar atos condenáveis quando há a certeza da invisibilidade. Impossível não pensar nisso diante do mais novo escândalo nacional, envolvendo o governador de Brasília.
Repetem-se comportamentos -mudando apenas os nomes e os partidos- e fica evidente que a visibilidade dos atos públicos, a tão decantada transparência, somada a ações exemplares de punição ao mau uso do dinheiro do contribuinte, é o melhor caminho para inibir a corrupção e constranger atos ilegais e imorais. Quando não temos processos consolidados que permitam o acompanhamento e o controle social, a corrupção, que se nutre da doentia obsessão pelo poder em si mesmo, ganha espaço e desenvoltura.
Infelizmente, ainda se entende o controle social como algo que atrapalha, empata. Atrapalha o quê e a quem? Seguramente, não a população e o interesse público, como estamos cansados de ver.
A corrupção política, envolvendo agentes públicos e privados, deteriora as instituições e rouba da sociedade o seu espaço de escolha, de realização de objetivos comuns e de solução de problemas dentro de regras democráticas. É a sombra que acompanha a história brasileira e hoje atinge o paroxismo.
A política se descolou da sociedade e atua movida por suas próprias razões e interesses, o que não leva e nunca levará a atos eticamente aceitáveis, mesmo que muitos deles não estejam tipificados em lei como crimes.
Nossa tarefa é a de identificar, na política, onde estão os anéis de Giges e destruí-los. No caso de Brasília, não penso que se deva tripudiar ou correr para tirar proveito político da desgraça que, a rigor, é da cidade. Não cabe vingança, mas sim justiça, para retomar o primado do interesse coletivo. Mas isso não esgota o assunto.
O risco está aí, no modelo de financiamento de campanhas, na tendência a mostrar o mínimo possível das entranhas da gestão pública, na pouca disposição a enterrar os privilégios que alimentam a fogueira da corrupção. O projeto de iniciativa popular conhecido como Ficha Limpa ainda está patinando no Congresso, o que é um mau sinal. Não é este o momento emblemático de aprová-lo?

contatomarinasilva@uol.com.br

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O que é LOOPING ??? !

" Para quem não conhece o conceito, aqui fica claro o que significa quando se diz que um programa de computador entrou em looping.
O diretor disse à secretária:- Vamos viajar para o exterior por uma semana, para um Seminário, faça os preparativos da viagem!
A secretária faz uma chamada para o marido:- Vou viajar para o exterior com o diretor por uma semana. Se cuida, querido.
O marido liga para a amante:- Minha mulher vai viajar para o exterior por uma semana,
então nós vamos passar a semana juntos, meu docinho!
A amante liga para um menino a quem dá aulas particulares:- Tenho muito trabalho, na próxima semana não precisa vir > às aulas.
O menino liga para o seu avô:- Vô, na próxima semana não tenho aulas, a minha professora estará ocupada.Vamos passar a semana juntos.
O avô (que é o diretor desta história) liga para a secretária:- Vou passar a próxima
semana com o meu neto, não poderemos participar naquele Seminário. Cancele a viagem.
A secretária liga para o marido:- A próxima semana o meu diretor tem muito trabalho,
cancelamos a viagem.
O marido liga para a amante:- Não poderemos passar a próxima semana juntos, a viagem da minha mulher foi cancelada.
A amante liga para o menino das aulas particulares:- Esta semana vamos ter aulas como
normalmente.
O menino liga para o avô:- Vô, a minha professora disse que esta semana tenho aulas.
Desculpe-me, não vai dar para fazer-lhe companhia.
O avô liga para a sua secretária:- Não se preocupe, na próxima semana vamos participar daquele Seminário. Continue com os preparativos!!!"