Ana Carolina

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sábado, 14 de maio de 2016

Sobre amizade, redes sociais, e política

     Já cheguei a procurar meu par ideal por meios virtuais, mesmo ciente do preconceito de que "é para perdedores". Minha razão é que virtualmente dá para se conhecer muito bem quem a pessoa é realmente, sem a capa que todos usam a maior parte do tempo. Claro que não estou me referindo aos perfis super elaborados, em que se exaltam as qualidades existentes ou não, enquanto se esconde os defeitos ou os transforma em características positivas. Pois bem. mesmo não tendo encontrado a minha alma gêmea, meu pensamento continua o mesmo.

     Hoje me peguei ensimesmada sobre o que ocorre na rede social a que pertenço. Sou feliz por ter uma coleção de amigos próximos, não tão próximos, amigos de amigos. Entre eles, pessoas queridas que fizeram parte de minha vida em alguma época, e virtualmente posso saber como estão, o que fizeram com suas vidas, ver suas famílias. Tudo cor-de-rosa!! Porém, fui assombrada nesta época de tempestade política. As pessoas, sabe-se, não deveriam discutir religião, futebol, nem política. Mas entre amigos, perdoa-se manifestações de religião, desde que não sejam contra nossos princípios morais, futebol, desde que com respeito, e política ............ aí a conversa mudou.


     Vi em minha página pessoas ameaçando outras. Amigos com quem sempre tive ótima relação postarem agressões contra quem pensa diferente!!!! Absurdo???? Mas eu também tive que me segurar e me segurei muito para não postar o que sinto sobre os políticos em quem não acredito, apenas para não acirrar ânimos de pessoas que são próximas e que têm opinião política diferente da minha. Fui me segurando até que não deu mais. Comecei a postar e pensei.. agora, seja o que Deus quiser.     Mas como aguentar que pessoas queridas pensem tão oposto do que a gente pensa? Dá uma gana de "mostrar" o quanto estão errados (!!!!)

     Chegado o momento, comecei a compartilhar o que seria menos doído para os amigos do "outro lado". Depois, pensei melhor e, em vez de excluir os amigos que poderiam se sentir atingidos, como vi um amigo ao menos fazer, personalizei minha lista de pessoas que receberiam minhas postagens. Agora me sinto à vontade para postar minha opinião, sem medo de acirrar ânimos (contra mim, reconheço). Eles sabem minha opinião, mas respeitando seus sentimentos evito enviar mensagens com minhas reações o tempo todo. 


      A conclusão a que cheguei hoje foi a de que muitos dos que estão em minha rede de amigos não eram "tão conhecidos" quando convivia diariamente com eles, como agora conheço, pelos posts que compartilham, pelas opiniões que expressam direta ou indiretamente, pelos cliques gostando ou não das postagens, pelas mensagens que enviam ou deixam de enviar. Um exemplo é relacionado à vida em comunidade de igreja, que fez parte de minha experiência desde bebê. Há aquelas pessoas com quem eu tinha contato profundo, mas com muitas outras eu tinha impressão formada com base em contatos superficiais. 


     Tive muitas surpresas ao conviver agora virtualmente. Quem eu pensava ser apenas "de esquentar banco de igreja" se mostrou  firme nas convicções, falando até demais sobre assuntos de igreja. Outro, que eu pensava ser uma grande liderança na igreja, se mostrou briguento e rancoroso com relação aos que pensam diferentemente, nada do que se prega nos púlpitos. 


Uma outra observação me parece possível. Cada pessoa dá o que tem, isto é, se mostra em cada atitude ou palavra. Pois bem, pelos posts e likes as pessoas se revelam muito, e muito mais do que se imagina. 

     De meu irmão(zinho), que é músico de alma e coração, além de pessoa consagrada a Deus, pode-se sempre esperar compartilhamento de boa música, dirigida a louvor a Deus. De minha sobrinha, que escolheu a música e ser professora como profissão, mensagens que mostram como é importante a aprendizagem musical, além de textos inspirados. Assim por diante. Tenho amigos com quem compartilho o amor aos animais. Nós temos uma comunidade não delimitada explicitamente, mas eles sabem que vou curtir e/ou compartilhar qualquer de suas mensagens. Com outros, é o amor à família. Adoramos conjuntamente falar de nossos filhos, netos, sobrinhos, pais..      Que gostoso é ver o amor deles com suas famílias, e sempre que não resisto e posto algo bem meloso sobre minha filha, vou ter vários cliques desses amigos curtindo comigo.


      Enfim, a intenção aqui foi somente de compartilhar  pensamentos em uma manhã em que o Filipe Massa ficou mal na fórmula 1, 16º lugar na largada da corrida de amanhã.. aiaiai.. e sei que alguns de meus amigos vão postar algo e vamos sofrer juntos !!!

Exemplo de manipulação de uma notícia.

Manchete da revista Exame de hoje:

Maduro solicita retorno de embaixador no Brasil à Venezuela


     Ao ler a manchete, pensei: já vai tarde. Que vá e não volte. 

     Uma das coisas que sempre condenei foi a postura paternalista de Lula e Dilma com relação às ditaduras da América do Sul, como se fossem uma república (depois fiquei sabendo do conluio do fórum de São Paulo).. pois bem: fui ler a notícia. 

     Há uma diferença muito grande entre os termos "retorno" e o termo do corpo da reportagem, que descreve a viagem do embaixador para conversar com Maduro e colocá-lo a par do que realmente ocorre no Brasil. 

     Acho esse tipo de enganação (e vejo isso todos os dias) antiética, aparentemente com finalidade de chamar a atenção, pois afinal, quem acharia interessante ler que o Maduro acha que foi um golpe (até a Dilma acha) e que o embaixador foi à Venezuela a chamado dele?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Marina Silva

Sinceramente, não sei o que a Marina Silva, uma mulher admirável, foi fazer no partido Verde. Nada contra o partido em si. O problema para ela é que ela não agiu com a razão. Os políticos que compôem o partido para o qual ela se filiou não são bem-vistos pela população. Mas não é sobre isso que quero falar hoje.
Recebi um texto pela internet, supostamente escrito por ela. Extremamente bem escrito, acredito que seja verdade. Vou postar abaixo:


EM "A REPÚBLICA", Platão conta o mito do camponês Giges que, certo dia, pastoreando suas ovelhas, encontra uma cratera aberta por violenta tempestade. Lá, ele descobre o cadáver de um homem, com um anel no dedo.
Pega o anel e o coloca no próprio dedo. E, para sua surpresa, percebe que a joia lhe dá a faculdade de se tornar invisível.
Com esse poder, Giges passa a cometer uma série de delitos: seduz a rainha, mata o soberano, usurpa o poder. O mito desvenda, assim, a propensão humana a praticar atos condenáveis quando há a certeza da invisibilidade. Impossível não pensar nisso diante do mais novo escândalo nacional, envolvendo o governador de Brasília.
Repetem-se comportamentos -mudando apenas os nomes e os partidos- e fica evidente que a visibilidade dos atos públicos, a tão decantada transparência, somada a ações exemplares de punição ao mau uso do dinheiro do contribuinte, é o melhor caminho para inibir a corrupção e constranger atos ilegais e imorais. Quando não temos processos consolidados que permitam o acompanhamento e o controle social, a corrupção, que se nutre da doentia obsessão pelo poder em si mesmo, ganha espaço e desenvoltura.
Infelizmente, ainda se entende o controle social como algo que atrapalha, empata. Atrapalha o quê e a quem? Seguramente, não a população e o interesse público, como estamos cansados de ver.
A corrupção política, envolvendo agentes públicos e privados, deteriora as instituições e rouba da sociedade o seu espaço de escolha, de realização de objetivos comuns e de solução de problemas dentro de regras democráticas. É a sombra que acompanha a história brasileira e hoje atinge o paroxismo.
A política se descolou da sociedade e atua movida por suas próprias razões e interesses, o que não leva e nunca levará a atos eticamente aceitáveis, mesmo que muitos deles não estejam tipificados em lei como crimes.
Nossa tarefa é a de identificar, na política, onde estão os anéis de Giges e destruí-los. No caso de Brasília, não penso que se deva tripudiar ou correr para tirar proveito político da desgraça que, a rigor, é da cidade. Não cabe vingança, mas sim justiça, para retomar o primado do interesse coletivo. Mas isso não esgota o assunto.
O risco está aí, no modelo de financiamento de campanhas, na tendência a mostrar o mínimo possível das entranhas da gestão pública, na pouca disposição a enterrar os privilégios que alimentam a fogueira da corrupção. O projeto de iniciativa popular conhecido como Ficha Limpa ainda está patinando no Congresso, o que é um mau sinal. Não é este o momento emblemático de aprová-lo?

contatomarinasilva@uol.com.br